A Lusa conquistou o título inédito da Copa Paulista no ano em que completou 100 anos de vida e garantiu a vaga para Série D em 2021.
Foto: Divulgação Portuguesa
A Portuguesa conquistou no seu centenário a Copa Paulista 2020 após vencer outra vez o Marília por 3 x 2 no Canindé (São Paulo) na noite da última quarta-feira (23) pelo jogo da volta da decisão, no Bento de Abreu (Marília) no dia 20 de dezembro havia vencido por 2 x 1, encerrando um jejum de sete anos sem títulos para Lusa, que havia conquistado o Paulista da Série A2 em 2013, carimbando a vaga no Brasileiro da Série D em 2021.
Assim o próximo marcará o retorno ao cenário nacional, a última vez foi em 2017 quando disputou a Série D e a Copa do Brasil, que esse seja o 1º degrau para retomada do clube ao lugar que merece na elite estadual, na Copa do Brasil e a longo prazo o retorno a 1ª divisão nacional.
A campanha da Portuguesa na Copa Paulista foi espetacular venceu 11 dos 14 jogos, empatou 2 e foi derrotada apenas uma vez (Água Santa por 2 a 1 em casa nas quartas de final), marcou 28 gols (média de 2 gols por jogo) e sofreu 7 (média de 0,5 gols por jogo) e Adilson Bahia foi o artilheiro do campeonato com 8 gols, demonstrando que a Lusa sobrou com o melhor ataque, melhor defesa, o que mais venceu e o que menos perdeu na competição, de 4 de novembro até 8 de dezembro ficou 9 jogos invicto com 8 vitórias e um empate.
Água Santa e Nacional foram os adversários que mais jogaram contra o clube paulistano no torneio, na 1ª fase Portuguesa 3 x 1 Água Santa e Água Santa 0 x 0 Portuguesa, nas quartas de final Água Santa 0 x 1 Portuguesa e Portuguesa 1 x 2 Água Santa nos pênaltis deu 3 x 2 para o rubro-verde, Portuguesa 4 x 0 Nacional, Nacional 0 x 1 Portuguesa (1ª Fase) e Nacional 0 x 1 Portuguesa, Portuguesa 1 x 0 Nacional (Oitavas de final).
Água Santa 4 Jogos
2 v 1 e 1 d
gp 5 gs 3
Nacional 4 jogos
4 v 0 e 0 d
gp 7 gc 0
O JOGO
Na finalíssima no Canindé estavam em campo os melhores ataques da competição com 25 gols marcados e os artilheiros, Gustavo Nescau do Marília com 8 gols e da Portuguesa Adilson Bahia com 7 gols, jogo com promessa de ser aberto pois as duas equipes são ofensivas, com o Marília tendo a obrigação de vencer (vitória simples levava a decisão para os pênaltis, diferença de dois ou mais gols o título) a qualquer custo e a Portuguesa não ia jogar atrás, mesmo podendo empatar no mínimo para levar o título, a Lusa desde o início da partida foi pra cima do visitante.
Aos 6 minutos Maykinho chuta para boa defesa de Igor Castro, rubro- verde toca bem a bola e encontra espaços na defesa do MAC, que não ameaça a meta lusitana, aos 23 minutos Adilson Bahia passa para Maykinho que chuta forte e Igor Castro desvia para escanteio, somente aos 29 minutos o Marília chuta de longe com Gustavo Nescau para defesa tranquila de Dheimison.
Mais uma vez o duelo entre Maykinho x Igor Castro, aos 30 minutos o atacante recebe passe de Raphael Luz e chuta para mais una defesa do goleiro do Tigre, aos 34 Junior Santos arrisca da intermediária lusitana e vai para longe do gol, enquanto o mandante desperdiça chances no ataque o visitante quando chega a frente tenta chutes de longe para longe da meta adversária, até que aos 36 minutos pênalti para Portuguesa no enrosco entre Raphael Luz e Geninho, um minuto depois Adilson Bahia converte a penalidade abrindo o placar 1 x 0 Portuguesa, resultado merecido pois o time da casa era superior ao seu adversário, que só ameaçava em chutes de fora da área ou em bola paradas.
O 2º tempo continuava no mesmo tom da primeira etapa com a Lusa na pressão em cima do MAC, Marília vem para o tudo ou nada, aos 5 minutos Adilson Bahia cruza para área e Diego Jussani cabeceia na trave do visitante, aos 8 minutos Adilson Bahia acerta a trave de novo, pressão da Portuguesa, a Lusa mais próximo do 2° gol do que o Tigre empatar, aos 13 minutos Geovani passa por dois jogadores e chuta de fora da área 2 x 0, título bem próximo do Canindé, mas aos 17 minutos em chutaço de fora da área Leo Couto diminuiu o placar agora 2 x 1.
Após gol sofrido o time da casa diminuiu o seu ritmo e cedeu mais espaço para o visitante que ainda insistia em jogadas pouco criativas, aos 20 minutos veio o tiro de misericórdia com Raphael Luz que foi lançado na área e saiu na cara de Igor Castro, após ganhar a disputa de bola o meia lusitano só empurra a bola para fazer 3 x 1 a Lusa coloca as duas mãos na taça, mas o time do interior é valente e não se dá pro vencido, mas encontra dificuldade para superar a bem postada defesa do time da casa.
Aos 38 minutos diminui com Diogo Calixto de cabeça após cobrança de escanteio da direita, os dois gols do visitante demonstraram os únicos recursos que tiveram na partida para conseguirem seus gols, aos 43 minutos escanteio para Lusa e Caíque chuta forte na trave outra vez (3°), aos 46 minutos o goleiro Igor Castro fez mais uma boa defesa no chute de Rafael Toledo salvando mais uma vez o Marília, aí foi só esperar o apito final do árbitro para o torcedor lusitano soltar o grito de campeão preso na garganta há sete anos.
FICHA TÉCNICA
Portuguesa 3 x 2 Marília
Final da Copa Paulista – Jogo de volta
23/12/2020 – 19h
Estádio Oswaldo Teixeira Duarte - Canindé, em São Paulo.
Árbitro: José Claudio Rocha Filho.
Auxiliares: Anderson José de Moraes Coelho e Amanda Pinto Matias.
Portuguesa: Dheimison; Jefferson Feijão, Diego Jussani, Willian Magrão e Vinícius Silva; Caíque, Walfrido (Fabrício 18’/2ºT) e Raphael Luz (Rafael Toledo 26’/2ºT); Geovani (Joãozinho 26/2ºT), Maykinho (Lucas Douglas 26’/2ºT) e Adilson Bahia. Técnico: Genilson França.
Marília: Igor Castro; Denis Leite (Bruno Oliveira 29’/2ºT), Geninho, Arthur Gaúcho (Lucas Lino 0’/2ºT) e Calixto; Felipe Cordeiro (Dionathan 10’/2ºT), Léo Couto (Eric Di Maria 29’/2ºT) e Luan Gama; Junior Santos, Nescau e Orlando Jr. Técnico: Guilherme Alves.
Gols
Portuguesa: Adilson Bahia 37' 1T, Geovani 13' 2T, Raphael Luz 20' 2T
Marília: Léo Couto 14' 2T, Diogo Calixto 37' 2T
Cartões amarelos: Geovani (40’/1ºT), Maykinho (42’/1ºT) e Joãozinho (45’/2ºT) para a Portuguesa
Junior Santos (13’/1ºT), Léo Couto (40’/1ºT), Arthur Gaúcho (47’/1ºT) e Calixto (40’/2ºT) para o Marília.
Foto: Cristiano Fukuyama - Portuguesa
CAMPANHA NA COPA PAULISTA
1ª FASE - GRUPO E - 1º lugar com 16 pontos
04/11 - Guarani B 0 x 5 Portuguesa
11/11 - Portuguesa 4 x 0 Nacional
14/11 - Portuguesa 3 X 1 Água Santa
18/11 - Água Santa 0 x 0 Portuguesa
22/11 - Nacional 0 x 1 Portuguesa
25/11 - Portuguesa 2 x 0 Guarani B
Oitavas de final
28/11 - Nacional 0 x 1 Portuguesa
02/12 - Portuguesa 1 x 0 Nacional
Quartas de final
06/12 - Água Santa 0 x 1 Portuguesa
09/12 - Portuguesa 1 x 2 Água Santa
Pênaltis 3 x 2 Lusa
Semifinal
12/12 - São Bernardo 1x 1 Portuguesa
16/12 - Portuguesa 3 x 0 São Bernardo
Final
20/12 - Marília 1 x 2 Portuguesa
23/12 - Portuguesa 3 x 2 Marília
LUSA, LUSA, LUSA
Enfim uma alegria ao torcedor da Portuguesa com a conquista da Copa Paulista no ano do seu centenário, são quase 20 anos de tristezas ao aficionado lusitano, tudo começou em 2002 quando foi rebaixada no Campeonato Brasileiro e em 2006 no Campeonato Paulista dois rebaixamentos pela primeira vez na sua história.
No cenário nacional ainda teve mais dois descensos em 2008 e 2013*(Caso Héverton), 2014 caiu para Série C e em 2016 para Série D onde disputou a competição no ano seguinte parando na 1ª Fase, ficando treis anos de fora de competições nacionais, agora em 2021 voltará para 4ª divisão em busca de se reeguer no futebol nacional.
A maior alegria para o tocedor lusitano nessa época foi o título da Série B em 2011, com um futebol envolvente, de toque de bola refinado e ofensivo, ganhou o apelido de Barcelusa, numa comparação ao Barcelona (ESP), time que apresenta em campo essas características, esse time conseguiu o recorde de maior quantidade de gols da história da competição com 82 gols em 38 jogos, fato ainda não superado.
No estado a Portuguesa volta ao Paulista da Série A1 em 2008 após ser campeão da Série A2 em 2007, em 2012 teve outro descenso a 2ª divisão estadual, mas no ano seguinte conquistou o bicampeonato da Série A2, em 2015 mais uma queda no paulistão, assim desde de 2016 o clube disputa o Campeonato Paulista da Série A2 (5 temporadas).
Então nesses últimos 18 anos a Portuguesa teve nada mais nada menos que oito rebaixamentos, a maior sequência negativa da história do clube, por outro lado encerrou o jejum de 34 anos sem título (1973 - 2007) com a conquista do Paulista da Série A2 em 2007 depois em 2013 repetiu a dose, 2011 o Brasileiro da Série B e por fim no ano do centenário a inédita conquista da Copa Paulista 2020, são quatro títulos em 13 anos, uma sequência positiva para quem vivenciou diante de uma longa fila de mais de 30 anos sem uma taça sequer no Canindé, assim nem tudo são flores e muito menos espinhos.
Os rebaixamentos foi o preço pago pelas várias dívidas acumuladas nas últimas duas décadas pelas diretorias lusitanas e as instabilidades administrativas como o impeachment de Ilídio Lico e a expulsão do ex-presidente Manoel da Lupa do Conselho Deliberativo em 2015, o ápice do descontrole financeiro foram a piscina do clube ter virado um camelódromo e o Estádio Doutor Oswaldo Teixeira Duarte (Canindé) ter ido a leilão.
Uma nova Lusa
Presidente desde o início de 2020, Antonio Carlos Castanheira é a esperança da reconstrução da Lusa, chegou com a itenção de reverter os anos de más gestões que tiraram o clube da elite paulista e do cenário nacional, para isso comecou a dar mais valor aos torcedores apaixonados pela Portuguesa, os grandes responsáveis pelo clube ainda estar ainda de pé, assim durante a Série A2 (principal competição em 2020) houveram promoções na venda de ingresssos visando a volta de um bom público ao Canindé, o plano deu tão certo que o clube conseguiu a maior média de público do torneio.
O novo mandatário trouxe o técnico Fernando Marchiori depois de um mal começo na Série A2 onde o clube chegou a frequentar a zona de rebaixamento, foi mais uma bola dentro do novo presidente lusitano, o time voltou a vencer e embalou na competição, mas a pandemia do Covid 19 brecou a reação do rubro-verde.
Se por um lado o futebol ficou paralisado, o marketing do clube se manteve ativo com diversas com diversas ações que valorizaram a marca Portuguesa, o ponto alto foi 14 de agosto com a festa do centenário, novos jogadores chegaram também para tornar a Lusa forte, açoes que demonstram a visão de reconstrução da nova diretoria.
Com a retomada do futebol após mais de cinco meses (15/03 a 19/08) devido a pandemia do Covid 19, a Lusa engata treis vitórias seguidas e chega embalada para quartas de final do Paulista da Série A2 contra o XV de Piracicaba, mas as derrotas por 3 x 2 (Barão de Serra Negra) de virada após abrir 2 a 0 e no Canindé por 1 a 0, encerrou-se o sonho da tão sonhada volta a Série A1 do Paulista, o grande objetivo no ano do centenário.
Assim restava a Copa Paulista, em que os finalistas irão disputar em 2021 o Brasileiro da Série D ou a Copa do Brasil, o campeão escolhe em qual competição vai disputar no próximo ano e o vice fica com a outra vaga, então com a melhor campanha da história, a Portuguesa sagrou-se campeão e confirmou seu retorno para a Série D do Campeonato Brasileiro.
Um novo rumo no clube está sendo tomado por Castanheira como: novos patrocinadores, renogaciações de dívidas, uma nova ideia de gestão esportiva, notícias na imprensa de forma positiva, acendendo uma luz no fim do túnel, algo esperado na Lusa há muitos anos, mostrando que é possivél reerguer o clube, para quem em breve possa voltar a elite do futebol paulista, isso a curto prazo e a longo prazo voltar a ter destaque no cenário nacional, esse novo caminho da Portuguesa está sendo traçado em um ano de Antonio Carlos Castanheira como presidente, com o título entrou no cofre do clube R$ 250 mil, uma ajuda para diminuir problema das finanças da Lusa e Vamos à luta, ó campeões.
*Em 11 de dezembro, três dias após a última rodada do Campeonato Brasileiro, a CBF notifica ao STJD a escalação irregular do meia-atacante Héverton para a partida da 38ª rodada contra o Grêmio no Canindé. Expulso em partida contra o Bahia pela 36ª rodada, cumpriu suspensão automática na 37ª rodada, foi punido com suspensão de 2 jogos pelo STJD em 6 de dezembro, 2 dias antes da 38ª rodada, mas mesmo assim foi relacionado. No dia 16 de dezembro de 2013, o STJD puniu a Portuguesa com a perda do ponto conquistado na partida (terminada em 0–0) e de mais 3 pontos, derrubando a Lusa para a 17ª posição e, consequentemente, para a zona de rebaixamento à Série B. O clube recorre ao pleno do STJD, que mantém a sentença. Foi cogitada uma apelação ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), localizado na Suíça, que não se concretizou.
- Investigação
O episódio motivou o promotor de justiça do consumidor Roberto Gomes Senise Lisboa a abrir inquérito contra a CBF e o STJD no Ministério Público de São Paulo em janeiro de 2014. Quase dois anos depois, o inquérito foi arquivado por falta de provas.
Fonte: Wikipédia