A disputa dos últimos mundiais de clubes está escancarando a grande diferença econômica, técnica e fisica, entre as equipes dos continentes mais relevantes do futebol mundial.
É claro e evidente que existe um abismo entre o futebol europeu e o sul-americano, só para se ter uma idéia da grande distância entre os continentes recentemente é que o último título mundial de um clube da América do Sul foi no distante ano de 2012 e o mais curioso é que foi o bicampeonato mundial do Corinthians, assim nos últimos 11 torneios mundiais somente as equipes europeias levaram o título,, agora a Europa tem 37 títulos contra 26 da América do Sul.
A superioridade do futebol europeu frente ao sul-americano vem se tornando evidente logo após ao surgimento da Lei Bosman (15 de dezembro de 1995), antes da lei a América do Sul tinha a vantagem de 20 a 14 em títulos de Mundial de Clubes, a partir de 1996 a situação se inverteu com a Europa obtendo uma ampla diferença de 23 a 6.
A Lei Bosman surgiu para fortalecer os clubes europeus já que atletas pertencentes a Comunidade Europeia passaram a não serem considerados estrangeiros, antes havia um limite de atletas com um total de três estrangeiros e dois "assimilados", a partir daí permitiu aos jogadores o poder sobre as suas carreiras, como poder sair dos clubes ao final do contrato ou assinarem pré-contratos seis meses antes do fim dos vínculos.
Até 2012 os clubes sul-americanos exerceram uma certa resistência frente aos europeus nos mundiais de clubes, tanto que até ano da conquista do Timão o placar de títulos mundias estava em 26 a 26, mas a partir de 2013 o domínio dos clubes europeus é total, não dando nenhuma chance das equipes da América do Sul de conquistar um título sequer, evidenciando o abismo entre os continentes.
Na época a Lei Bosman foi considerada como o "fim da escravidão do futebol", na prática acabou acentuando as diferenças econômico entre os clubes europeus e o resto do mundo, tornando uma disputa desigual para os sul-americanos em manter seus melhores jogadores, o poder econômico influencia em bons jogadores, aumento do nível técnico da equipe e estrutura de excelência aos atletas.
O Mundial de Clubes iniciou como Copa Intercontinental em 1960 e durou até 2004 com a disputa entre os campeões europeus e sul-americanos, a princípio em dois jogos (1960 - 1979), depois em jogo único no Japão (1980 - 2004) em 2000 com a 1° edição do Mundial de Clubes da FIFA contando com todos os campeões continentais e de um representante do país sede, este que desde 2005 é o único que vem sendo disputado.
Em 2024 ressurgirá a Copa Intercontinental, mas com equipes campeãs continentais e o europeu só jogando a final, a partir de 2025 terá o mundial da FIFA com 32 equipes do mundo e será disputada de quatro em quatro anos.
Com o grande poderio financeiro dos clubes europeus ultimamente os jogadores sul-americanos estão indo para Europa cada vez mais jovens, citando o Brasil os maiores exemplos recentes são: Endrick (Real Madrid), Vitor Roque (Barcelona) e Moscardo (PSG) que com 18 anos estarão no futebol europeu em 2024.
Assim não se tem uma perspectiva nem a curto, médio ou longo prazo do futebol sul-americano se aproximar da Europa, se antes havia uma disputa com os clubes europeus nos mundiais de clubes, nos últimos 10 anos isso se tornou inviável ou diria impossível, pois a diferença entre os continentes é gritante.
Isso tudo porque há 28 anos com o advento da Lei Bosman isso estava claro que a hegemonia europeia uma hora iria ficar evidente, esta lei acabou sendo o alicerce para soberania europeia, já que mesmo tendo um situação financeira superior em relação a América do Sul, ainda tinha desvantagem em conquistas de mundias de clubes para os sul-americanos, então a medida enfraqueceu o concorrente e a Europa se tornou soberana no mundo.