A goleada do Corinthians frente ao Nacional (URU) na semifinal da Libertadores fem 2021, serviu como manifesto ao racismo.
Foto: Divulgação Libertadores Feminina
O Corinthians veio a campo no 4 - 4 - 2, já o Nacional no 3 - 5 - 2, como já era de se esperar um Timão em cima da equipe uruguaia que se postava atrás jogando de forma reativa, as uruguaias faziam uma linha de 5 na frente da sua área e mais a frente outra linha com 3 e na intermediária corinthiana as duas atacantes atrapalhando a saída de bola da equipe brasileira.
O Timão encontrava dificuldades para chegar com perigo a meta uruguaia, pois o Nacional estava com a marcação encaixada, as duas atacantes chegavam nas zagueiras corinthianas que acionavam pelos lados do campo as laterais que avançavam um pouco além do meio campo.
Com isso as laterais ficavam presas atrás e não chegavam muito ao apoio no ataque, porque no trio do meio campo defensivo uruguaio tinha duas volantes pelos lados, que dificultavam as ações ofensivas das laterais alvinegras, e a meia uruguaia diminuía o espaço da volante corinthiana, mas mesmo assim o Corinthians encontrou alguns espaços na intermédia adversária já que a marcação era individual.
A maior dificuldade corinthiana era realmente romper a última linha com 5 defensoras, treis zagueiras e duas alas, o timão dispunha a frente três meias e duas atacantes, o último terço de campo tinha a marcação mulher a mulher e a defesa jogando em linha, mesmo com a marcação acertada por parte da equipe uruguaia, o Timão abriu o placar aos 10 minutos de jogo com a cabeçada da zagueira Giovana Campiolo após escanteio da direita cobrado por Yasmim.
O Corinthians usava o toque de bola e as movimentações das suas jogadoras para encontrar espaços na defesa uruguaia, já o Nacional jogava no erro do Timão para ameaçar a defesa corinthiana, as maiores oportunidades eram em lances de bolas paradas em faltas, escanteios ou bolas esticadas para as atacantes.
O Timão pressionava o Nacional que se defendia muito bem, terminando o 1° tempo com apenas 1 a 0 no placar, o alvinegro começava o seu jogo com as zagueiras Pardal e Giovanna Campiolo, que recebiam a marcação das atacantes Morales e Pizarro, as laterais Yasmin pela esquerda e Poliana do outro lado, eram opções de jogadas pelos lados, mas as volantes Cecília Gómez e Luciana Gómez bloqueavam os acesso ofensivos das corinthianas, a meia Bermúdez não dava liberdade para volante Gabi Zanotti.
Na última linha defensiva uruguaia o Corinthians tinha pela esquerda a meia Tamires e a atacante Victoria Albuquerque, na direita eram as meias Diany, Gabi Portilho e a atacante Adriana formando a linha ofensiva da equipe brasileira, já o bloqueio uruguaio era composto pela ala direita Ângela Gómez e Vieira na ala esquerda, junto com as zagueiras Costa, Colman e Ferradans. Era a alternativa das uruguaias para conter o ímpeto corinthiano que atacava principalmente pelo lado direito de ataque.
Mas o 2° tempo se mostrou diferente da primeira etapa, não só pelo fim da chuva onde o Timão acabou sendo prejudicado por ser uma equipe técnica, já o Nacional ficou bem desgastado fisicamente devido ao seu jogo reativo.
O Corinthians encontrava mais facilidade do seu jogo ofensivo, tanto que aos 4 minutos saiu o golaço de Diany, que fintou Colman e chutou de bico do lado direito da meia lua adversária acertando o ângulo de Villanueva 2 a 0 Timão.
A equipe brasileira continuava em cima das uruguaias e aos 9 minutos saiu mais um do Corinthians, bola na frente para Adriana no lado direito de ataque corinthiano, ela saiu na cara da Villanueva que defendeu o chute, no rebote a camisa 16 deu a assistência para Victória Albuquerque fazer de voleio no meio da área sem goleira, começava a se desenhar a goleada alvinegra 3 a 0.
A equipe brasileira assim conseguia uma tranquilidade no placar e justamente pelo lado (direito de ataque) que foi tão explorado na primeira etapa, as jogadoras uruguaias sentiram o golpe de sofrerem dois gols em um intervalo de cinco minutos e com apenas nove minutos do 2° tempo.
A equipe uruguaia não demonstrava mais resistência a imposição corinthiana no ataque e nenhum poder de reação na partida. Então mais do que nunca se tornou um ataque contra defesa, o Corinthians com liberdade em trabalhar o seu ataque na intermediária do Nacional e agredindo a última linha defensiva uruguaia que tanto foi resistente na primeira etapa, agora já se mostrava frágil devido ao placar e a questão física.
O Nacional estava entregue em campo, aí saiu mais um gol do Timão, bola na esquerda do ataque corinthiano próximo a linha de fundo Tamires cruzou para área Villanueva não conseguiu cortar e a bola bate em Gabi Portilho e entra na meta uruguaia vazia taí o 4 a 0 aos 17 minutos, dessa vez o espaço foi do lado esquerdo do ataque das brasileiras.
E não demorou muito para sair o quinto gol, aos 19 minutos Andressinha pelo meio da intermediária adversária lançou a bola na área para Victória Albuquerque, que ajeitou de peito para Jheniffer chegar batendo a queima roupa de Villanueva, o curioso é que foi o primeiro toque na bola e a centroavante foi a rede.
O desgaste físico das uruguaias era evidente tanto que a marcação tinha enorme dificuldade de encaixar, assim o Corinthians melhor tecnicamente e fisicamente sobrava em campo, o Nacional no jogo só chegava de forma esporádica em lances de bolas paradas, muito pouco ofensivamente para uma equipe que tinha pela frente o Timão, o que fez de melhor no duelo foi o primeiro tempo quando a marcação tava encaixada.
Com um Nacional bagunçado, o Timão fez 6 a 0 de pênalti com Adriana que acertou o ângulo direito de Villanueva, após uma boa jogada na direita de ataque corinthiano Gabi Portilho foi derrubada na área por Colman, depois do gol surgiu o ato racista de uma jogadora uruguaia contra a camisa 16 do Timão, paralisando o jogo por cerca de cinco minutos, e só dava Corinthians que pressionava as uruguaias mesmo com um placar dilatado.
Aos 38 minutos Juliete arrisca do lado esquerdo da meia lua da defesa adversária e acerta o canto direito de Villanueva fazendo 7 a 0, mesmo com as substituições nas equipes Nacional (3) e Corinthians (5) não mudou as formações táticas dos times 3-5-2 e 4-4-2, e o Timão dominante tanto que veio o oitavo gol com Grazi, de frente a área uruguaia Jheniffer joga a bola na área Diany domina, gira e da assistência para camisa 7 tocar por baixo de Villanueva aos 44 minutos decretando a goleada alvinegra.
Na comemoração Grazi e Diany estenderam o braços direito com os punhos cerrados, gesto que foi repetido pelo banco corinthiano, era o manifesto do Corinthians ao ato de racismo contra Adriana.
Mesmo com as entradas de Ferrada (lesão Morales) ainda no primeiro tempo e Lemos (Ângela Gómez) na segunda etapa, a equipe uruguaia continuava a mesma se portando de maneira reativa, até porque as substituições foram por questão física, já no finalzinho veio a campo Acevedo (Luciana Gómez).
Entraram no Corinthians Katiuscia (Poliana), Juliete (Pardal), Grazi (Tamires), Andressinha (Gabi Portilho) e Jheniffer (Victória Albuquerque) em campo, com essas trocas o time manteve o ritmo forte do segundo tempo e impôs uma sonora goleada.